Animação para reflexão

A maravilhosa Língua Portuguesa – ótimo trabalho

Desconheço o autor. O que sei é que recebi por e-mail de Beth Gama, amiga de longa data. Achei muito interessante, principalmente para os amigos e amigas que gostam de literatura.  Vamos lá?

O que está faltando no texto abaixo?

Sem nenhum tropeço posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo isso permitindo mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível. Podem-se dizer tudo, com sentido completo, mesmo sendo como se isto fosse mero ovo de Colombo.

Desde que se tente sem se pôr inibido pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.

Trechos difíceis se resolvem com sinônimos. Observe-se bem: é certo que, em se querendo esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo. Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo esporte do
intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o “E” ou sem o “I” ou sem o “O” e, conforme meu exclusivo desejo escolherá outro, discorrendo livremente, por exemplo, sem o “P”, “R” ou “F”, o que quiser escolher, podemos, em corrente estilo, repetir um som sempre ou mesmo escrever sem verbos.

Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos. Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo,  querendo substituí-lo pelo inglês. Por quê?

Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores.
Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.

Descobriu?

Não???

Então aqui vai……

 

 

 

 

 

Para amigos de cabelos brancos

Como pedido pela minha amiga Cleide Gomes da Costa, repasso estas linhas, já conhecidas por muitos de nós, os de cabelos brancos que trabalharam e ainda trabalham construindo para o futuro.

Um jovem muito arrogante, que estava assistindo a um jogo de futebol, tomou para si a responsabilidade de explicar a um senhor já maduro, próximo dele, porque era impossível a alguém da velha geração entender esta geração.

“Vocês cresceram em um mundo diferente, um mundo quase primitivo!”, o estudante disse alto e claro de modo que todos em volta pudessem ouvi-lo.”

“Nós, os jovens de hoje, crescemos com Internet , celular , televisão, aviões a jato, viagens espaciais, homens caminhando na Lua, nossas espaçonaves tendo visitado Marte. Nós temos energia nuclear, carros elétricos e a hidrogênio, computadores com grande capacidade de processamento e ….,” – fez uma pausa para tomar outro gole de cerveja.

O senhor se aproveitou do intervalo do gole para interromper a liturgia do estudante em sua ladainha e disse:

- *Você está certo, filho. Nós não tivemos essas coisas quando éramos jovens porque estávamos ocupados em inventá-las. E você, um bostinha de merda arrogante dos dias de hoje, o que está fazendo para a próxima geração?*

*Foi aplaudido de pé!*

*ESTA É PRA REPASSAR MESMO!*

O PODER DO PERDÃO – RESILIÊNCIA

A primeira coisa que me passou pela cabeça hoje de manhã foi as diferentes maneiras de como as pessoas comemoram a Páscoa. Impossível não pensar em Jesus Cristo e sua vida como um todo, qual sua missão e ensinamentos deixados por ele. Se tivéssemos conseguido entendê-lo melhor saberíamos o que é ser resiliente e, consequentemente nossa vida seria mais branda.

 

O PODER DO PERDÃO – RESILIÊNCIA

Perdão: os benefícios que a resiliência traz para nossa saúde física e mental.

Fazer as pazes com quem nos magoou e conosco é o segredo para o equilíbrio interior.

Por Ágata Székely

Quando me sugeriram o tema deste artigo, pensei: E se fizéssemos um sobre “O valor da vingança?” Eu me lembraria de mais exemplos…
Como canta Elton John, o perdão parece ser um dos conceitos mais difíceis de se pôr em prática. Além disso, pelo que consegui investigar, é uma palavra mal-entendida.

Muitas vezes não perdoamos porque acreditamos que o perdão contribui para a injusti-ça. Quem causa dano não merece perdão, pensamos. Se perdoarmos, voltarão a nos ferir, vão se aproveitar da “nossa nobreza”. Às vezes, o desgosto com os prejuízos e as ofensas não se reduz nem com o passar do tempo. Podemos ficar enfurecidos com nossos pais pe-los erros cometidos durante a nossa infância, com quem já abusou da nossa boa-fé, com aquele parente que nos chamou de “gorda” (ou assim deu a entender) num Natal há dez a-nos.

Não perdoamos ninguém. Nem sequer a nós mesmos.

Guardamos a ferida dentro da alma como um tesouro precioso, para tirá-la da memória de vez em quando e fitá-la, absortos, como se fosse um álbum de fotografias, uma joia de vitri-ne. Nesse momento, passamos outra vez pela mente o filme triste do episódio imperdoável e o revivemos. O desgosto com o passado se alimenta de grandes porções do presente. Eis aí o rancor.

Na verdade… por que valeria a pena perdoar?! Só por uma questão religiosa? Por puro altruísmo? Em um mundo tão absolutamente cruel em tantas ocasiões, há alguma questão que seja impossível de desculpar?

As informações a respeito disso são ricas e variadas. Os especialistas se dedicaram a estu-dar cientificamente o perdão e descobriram alguns fatos bastante surpreendentes.

Para conhecer e dominar o perdão, primeiro temos de saber de que “matéria” ele é compos-to, o que é verdadeiramente e o que não faz parte desse sentimento transformador.

Do que é feito o perdão? Fred Luskin é conselheiro, psicólogo da saúde e diretor do Projeto do Perdão, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Em seu guia “O Poder do Perdão”, que reúne casos e estudos tirados desse programa, Luskin explica que os proble-mas não solucionados são como aviões que voam dias e semanas sem parar e sem pousarem, consumindo recursos que podem ser necessários em caso de emergência.

“Os aviões do rancor se convertem em fonte de estresse e, muitas vezes, o resultado é um choque”, afirma Luskin. “Perdoar é a tranquilidade que se sente quando os aviões pousam.”

O especialista explica que perdão não é aceitar a crueldade, esquecer que algo doloroso a-conteceu, nem aceitar o mau comportamento. Também não significa reconciliar-se com o a-gressor.

“O perdão é para nós, não para quem nos ofendeu”, diz Luskin.

“Aprendemos a perdoar como aprendemos a chutar uma bola. Minha pesquisa sobre o per-dão demonstra que todos têm a capacidade de se incomodar e a usam sabiamente. Não desperdiçam energia valiosa enredando-se em fúria e dor quando nada se pode fazer. Ao perdoar, admitimos que nada se pode fazer pelo passado e isso permite que nos libertemos dele. Perdoar ajuda os aviões a pousarem para que lhes sejam feitos os ajustes necessá-rios.”

Segundo Luskin, o perdão serve para relaxarmos e não significa que o agressor “se dê bem”, nem que aceitamos algo injusto. Ao contrário, significa não sofrer eternamente pela ofensa ou pela agressão.

Mas, e se a agressão tiver sido grave demais? A lição de Kim:

Era 8 de novembro de 1972, durante a guerra do Vietnã. A família de Kim Phuc tentou pro-teger-se num templo próximo, quando ouviu o barulho dos aviões americanos. O refúgio não foi suficiente contra as bombas de Napalm que caíam do céu e tudo explodiu em chamas.
Nick Ut, correspondente da Agência de Notícias Associated Press, tirou nesse momento a foto tristemente famosa que percorreu o mundo todo. Ali estava Kim, aos 9 anos, nua e em prantos, com grande parte do corpo coberta de queimaduras de terceiro grau. Apesar disso, a menina sobreviveu. Passou por 17 cirurgias e, depois de ser usada durante anos como símbolo da resistência do seu país, pediu asilo no Canadá. O mais notável de sua história é que Kim perdoou o capitão John Plummer, oficial que ordenou o bombardeio de sua aldeia.
Em “El Don de Arder” [O dom de queimar], Kim conta à jornalista Ima Sanchís que, ao en-contrar-se com o militar num evento, não o esbofeteou. Preferiu abraçá-lo: “A guerra faz com que todos sejamos vítimas. Eu, quando menina, fui vítima, e ele, que fazia o seu trabalho de soldado, também foi. Tenho dores físicas e ele tem dores emocionais, que são piores do que as minhas.”
Kim capitalizou suas antigas feridas de forma positiva. Hoje, viaja pelo mundo em campanha pela paz e é presidente da Fundação Kim Internacional, dedicada a dar assistência as víti-mas de conflitos armados. Mas qual o segredo para agir com tanta integridade moral?

Resiliência, a palavra mágica!
Boris Cyrulnik sofreu com a morte dos pais num campo de concentração nazista, do qual conseguiu fugir quando tinha apenas 6 anos. Depois que a guerra acabou, ele ficou vagando de um campo a outro até chegar a uma fazenda controlada por uma instituição de caridade.

Durante sua permanência, os vizinhos lhe ensinaram o amor pela vida e pela literatura. Mais tarde, ele decidiu ser médico e estudar os mecanismos da sobrevivência.

Hoje é psiquiatra, neurologista, escritor, psicanalista e especialista em resiliência, um con-ceito psicológico que define a capacidade de superar as adversidades e ser forte durante as crises. “A resiliência é o antidestino”, diz Boris. “Dá trabalho, não é fácil, mas é um espaço de liberdade interior que permite não se submeter às feridas.”

Quem consegue superar tragédias ou sair de períodos difíceis de dor emocional pode a-bandonar o papel de vítima e começar uma vida nova, como Boris e Kim. Você já se per-guntou por que algumas pessoas, oprimidas pelo desamparo na infância, caem na delin-quência e se tornam agentes de agressão, ao passo que outras se recuperam, tornam-se pessoas de bem e são felizes, fortes, prósperas e bem-sucedidas? A resposta é a resiliên-cia e, para consegui-la, o perdão é um dos ingredientes necessários.

De acordo com a psicoterapeuta Rosa Argentina Rivas Lacayo, presidente da Associação Latino-americana de Desenvolvimento Humano e da Associação de Orientação Holística do México, “sem perdão não podemos crescer nem ficar mais fortes com a adversidade. Tam-bém não conseguiremos ser flexíveis e resilientes. Algumas pessoas ‘cozinham’ a dor em fogo brando, para mostrar ao mundo como foram maltratadas e não querem perceber que assim se prejudicam.

Ao mundo, não interessa o nosso passado, só o que somos capazes de fazer e realizar agora. Quando nos apegamos à dor antiga, a autocomiseração embota a capacidade de realizar e, quando assumimos o papel de mártires, ficamos à espera de que alguém resolva milagrosamente a nossa vida.”

Para Rivas Lacayo, o perdão nos ajuda a reconhecer e admitir que somos frágeis e que não precisamos esconder essa fragilidade. Quando nos tornamos conscientes dos nossos limi-tes, evitamos que a experiência se repita.

Não é pouco, porém há mais: e se houvesse… provas científicas da utilidade do perdão?

O perdão como proteção contra às doenças.

Além da saúde espiritual, existem várias provas de que deixar para trás a hostilidade protege a saúde física. E não é metáfora nem “modo de dizer”. Um estudo chamado Perdão e Saú-de Física, realizado pela Universidade do Wisconsin, mostrou que aprender a perdoar pode ajudar indivíduos de meia-idade a evitar doenças cardíacas. Nessa pesquisa, foi descoberto que, quanto maior a capacidade de perdoar, menos problemas nas artérias coronárias sur-gem no decorrer da vida. Por outro lado, quanto menor a capacidade de perdoar, mais fre-quentes os episódios de doenças cardiovasculares.

Em relação à recordação das feridas, eis aqui outra informação importante: uma pesquisa indicou que pensar cinco minutos em algo que provoca agitação, raiva ou desgosto pode di-minuir a variabilidade da frequência cardíaca (VFC), parâmetro da saúde do sistema nervoso que mostra a flexibilidade do sistema cardiovascular.

Para enfrentar e reagir ao estresse em boas condições o coração precisa de flexibilidade. O mesmo estudo mostrou que esses cinco minutos de pensamento negativo desaceleram a reação do sistema imunológico, que defende o organismo.

Os benefícios do perdão (tanto os que protegem o corpo quanto os que aliviam e “limpam” a alma) não se aplicam só aos outros e também a nós mesmos, quando, apesar dos erros e culpas, somos capazes de nos perdoar e deixar de nos sentir merecedores de castigo. Per-doar não é esquecer nem persistir no erro. É começar de novo, com a experiência adquirida, sem os rancores a sobrevoar e confundir as possibilidades do presente.

Assim como o amor, o perdão não é al¬go que se “dê” ao outro, e sim, um pre¬sente vital que damos a nós mesmos!

Pesquisa: Eléia Abreu – Setembro de 2011.

O Verdadeiro sentido das coisas

Documentário que serve de alerta para nós brasileiros. É bem explicativo e importante para reflexão.

Apesar de não tão recente este documentário nos faz pensar no nosso consumo, no planeta e os rumos que a humanidade está tomando. Detesto quando alguns generalizam e falam mal dos americanos como um todo. Há muitos que lá já pensam diferente.

Apesar da fala muito corrida da apresentadora, vale a pena rever este vídeo.

Cada coisa no seu lugar

Primeiro devo dizer que adoro receber coisas desta minha irmã, Lyla Freire ( coisa de artista). Se tem coisa que ela faz bem é mandar coisas que interessam para esta categoria de assuntos, coisa que nem todo mundo gosta mas, eu gosto.

Coisa

A palavra “coisa” é um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma idéia. Coisas do português.

A natureza das coisas: gramaticalmente, “coisa” pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma “coisificar”. E no Nordeste há “coisar”:“Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar?”.

Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado. Já as “coisas” nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio. “E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios” (Riacho Doce, José Lins do Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, “coisa” também é cigarro de maconha.

Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Alceu Valença canta: “Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já.” E, como em Olinda sempre há bloco mirim equivalente ao de gente grande, há também o Segura a Coisinha.

Na literatura, a “coisa” é coisa antiga. Antiga, mas modernista: Oswald de Andrade escreveu a crônica O Coisa em 1943. A Coisa é título de romance de Stephen King. Simone de Beauvoir escreveu A Força das Coisas, e Michel Foucault, As Palavras e as Coisas.

Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de “a coisa”. A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: ”Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!”.

Devido lugar: “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (…)”. A garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro.“Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca.” Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas.

Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta “Alguma coisa acontece no meu coração”, de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa).

Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim!

Coisa de cinema! A Coisa virou nome de filme de Hollywood, que tinha o seu Coisa no recente Quarteto Fantástico. Extraído dos quadrinhos, na TV o personagem ganhou também desenho animado, nos anos 70. E no programa Casseta e Planeta, Urgente!, Marcelo Madureira faz o personagem “Coisinha de Jesus”.

Coisa também não tem tamanho. Na boca dos exagerados, “coisa nenhuma” vira “coisíssima”. Mas a “coisa” tem história na MPB. No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré(“Prepare seu coração / Pras coisas que eu vou contar”), e A Banda, de Chico Buarque (“Pra  ver a banda passar / Cantando coisas de amor”), que acabou de ser relançada num dos CDs triplos do compositor, que a Som Livre remasterizou.         Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava nem aí com as coisas:“Coisa linda / Coisa que eu adoro”.

Cheio das coisas. As mesmas coisas, Coisa bonita, Coisas do coração, Coisas que não se esquece, Diga-me coisas bonitas, Tem coisas que a gente não tira do coração. Todas essas coisas são títulos de canções interpretadas por Roberto Carlos, o “rei” das coisas. Como ele, uma geração da MPB era preocupada com as coisas.

Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade (afinal,“são tantas coisinhas miúdas”). Já para Beth Carvalho, é de carinho e intensidade (“ô coisinha tão bonitinha do pai”). Todas as Coisas e Eu é título de CD de Gal. “Esse papo já tá qualquer coisa…Já qualquer  coisa doida dentro mexe.” Essa coisa doida é uma citação da música Qualquer Coisa, de Caetano, que canta também: “Alguma coisa está fora da ordem.”

Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal coisa, e coisa e tal. O cheio de coisasé o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma.

A coisa pública não funciona no Brasil. Desde os tempos de Cabral. Político quando está na oposição é uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando se elege, o eleitor pensa: “Agora a coisa vai.” Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa é falar; outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas!

Coisa à  toa. Se você aceita qualquer coisa, logo se torna um coisa qualquer, um coisa-à-toa. Numa crítica feroz a esse estado de coisas, no poema Eu, Etiqueta, Drummond radicaliza: “Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente.” E, no verso do poeta, “coisa” vira “cousa”.

Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para ser usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? Bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas más.

Mas, “deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida”, cantarola Fagner em Canteiros, baseado no poema Marcha, de Cecília Meireles, uma coisa linda. Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento: “amarás a Deus sobre todas as coisas”.

ENTENDEU O ESPÍRITO DA COISA?

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Esperanto – curso em vídeo

 

 

INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO 1

PROFESSORA: Olá, e bem-vindos ao nosso curso de Esperanto: Passaporte ao mundo inteiro!
Através deste vídeo você vai conhecer não somente a língua internacional Esperanto, mas
também a família Bonvolo. Mas — um minuto! Quem são os membros da família Bonvolo?
Bem, veja:
Aqui está Georgo, um filósofo.
GEORGO: “Georgo Bonvolo. Mi estas filozofo. Greka filozofo.”
PROFESSORA: Aqui está Filisa, uma dançarina.
FILISA: “Kaj mia nomo estas Filisa. Filisa Bonvolo. Mi ne estas filozofo. Mi estas dancisto.”
PROFESSORA: Aqui estão os três filhos: Jolanda, uma juíza;
JOLANDA: “Kaj mi estas Jolanda; Jolanda Bonvolo. Mi estas juĝisto.”
PROFESSORA: Karlo, um atleta.
KARLO: “Mi kuras — unu, du.”
PROFESSORA: E Helena, uma escultora.
HELENA: “Skulptisto. Mi estas skulptisto.”
PROFESSORA: A família Bonvolo trabalha em um centro de informações — o Centro de
Informações Bonvolo. E para o centro de informações vêm pessoas de todo o mundo.
Oh! Aqui está Ruselo da Nova Zelândia…
KEN “Ĝis, sinjoro.”
PROFESSORA: …e Ken do Japão. Mas, um momento! Aqui está Ruselo. O que ele está fazendo?
O que Ruselo está fazendo? Veja, escute e divirta-se!

Mês da Mulher 2012 – Economia: Vamos pensar mais além?

Para as mulheres que gostam de pensar além das aparências.
Economia é mais do que guardar um dinheirinho na poupança.
Maria Lucia Fatorelli merece muito o nosso respeito pela luta que vem desenvolvendo no cenário mundial.
Conhecer um pouco o terreno que sempre foi um legado masculino, torna-se fundamental nesta hora de conscientização das mulheres sobre o mundo além do seu próprio umbigo.

 

 

Duplo Silêncio (Lenda Judaica)

 

Esta é uma linda lenda judaica que nos diz muito sobre relacionamentos humanos. Faz com que repensemos nossas parcerias de vida com aqueles que chamamos de amigos.

 

Dois amigos cultivavam o mesmo campo de trigo, trabalhando arduamente a terra com amor e dedicação, numa luta estafante, às vezes inglória, à espera de um resultado compensador.

Passam-se anos de pouco ou nenhum retorno.

Até que um dia, chegou a grande colheita.

Perfeita, abundante, magnífica, satisfazendo os dois agricultores que a repartiram igualmente, eufóricos.

Cada um seguiu o seu rumo. À noite, já no leito, cansado da brava lida daqueles últimos dias, um deles pensou : “Eu sou casado, tenho filhos fortes e bons, uma companheira fiel e cúmplice.

Eles me ajudarão no fim da minha vida.

O meu amigo é sozinho, não se casou, nunca terá um braço forte a apoiá-lo.

Com certeza, vai precisar muito mais do dinheiro da colheita do que eu”.

Levantou-se silencioso para não acordar ninguém, colocou metade dos sacos de trigo recolhidos na carroça e saiu.

Ao mesmo tempo, em sua casa, o outro não conciliava o sono, questionando : “Para que preciso de tanto dinheiro se não tenho ninguém para sustentar, já estou idoso para ter filhos e não penso mais em me casar.

As minhas necessidades são muito menores do que as do meu sócio, com uma família numerosa para manter”.

Não teve dúvidas, pulou da cama, encheu a sua carroça com a metade do produto da boa terra e saiu pela madrugada fria, dirigindo-se à casa do outro.

O entusiasmo era tanto que não dava para esperar o amanhecer.

Na estrada escura e nebulosa daquela noite de inverno, os dois amigos encontraram-se frente a frente.

Olharam-se espantados.

Mas não foram necessárias as palavras para que entendessem a mútua intenção.

Amigo é aquele que no seu silêncio escuta o silêncio do outro.

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

 

Conversa sobre violência contra a mulher

Desde que participei da primeira turma do Curso de Promotoras Legais Populares de São Carlos e posteriormente do Tecendo a Rede em São Carlos, ambos de iniciativa pública, portanto política, tenho recebido e-mails perguntando o que estas promotoras incentivadas pelo governo de São Carlos estão fazendo além dos cursos.  Nós enquanto promotoras, fizemos algumas ações educativas, distribuímos informações sobre o que é a violência contra a mulher e iniciamos um blog particular do grupo para arquivar o que algumas promotoras da primeira turma estavam fazendo.

Dentre os comunicados que recebi, um deles me chamou à atenção pois veio encaminhado com ” para sua análise” .  É uma Conversa entre Helio Fernandes e Jorge Folena sobre a violência contra a mulher. Li na íntegra esta conversa assim como os comentários feitos por alguns que leram a matéria original. Transcrevo a conversa feita no Blog da Tribuna da Imprensa, pois acredito que em parte eles se assemelham a outros comentários que leio e escuto em outros lugares.


Prezado Jornalista Hélio Fernandes

Fiquei com o coração cheio de alegria e com a esperança de que vale a luta e a resistência por um mundo melhor.

Digo isto diante de duas manchetes: 1) “Salvar a mulher, salvar o mundo” (Diário de La Juventude, 19/11/2009); 2) “Hoje, Mesa Redonda pelos 20 anos da Convenção dos Direitos da Criança” (Granma, 19/11/2009).

Não precisaria escrever mais nenhuma linha, pois as chamadas dos periódicos por si só dizem tudo. Mas em nosso país os grandes controladores dos meios de comunicação jamais possibilitarão ao povo uma reflexão, por menor que seja, a respeito desses dois temas interligados por natureza, bem como de outros de interesse da coletividade.

Há os que se apresentam como “progressistas”, mas cujo espírito é conservador, que não desejam debater de forma séria a problemática da mulher e das crianças em nosso País.

Assim, é mais fácil combater os pobres, como fossem a causa de nossas mazelas, e passar ao largo da verdadeira origem dos impasses em que deveríamos enfrentar.

Enquanto os governos concedem isenções de tributos às empresas, abrindo mão de parcela importante da arrecadação das receitas públicas, necessária para promover o desenvolvimento social, deixa-se de oferecer às comunidades carentes os serviços necessários para uma vida mais digna, como escolas, creches e postos de saúde de qualidade e que funcionem de verdade.

A comemoração pelos 20 anos da Convenção dos Direitos da Criança se faz sob a premissa de José Marti de que “a infância é a esperança do mundo”. E como toda criança nasce de uma mulher, fica claro porque que salvar a mulher é salvar o mundo.

Porém, que esperança pode haver para um país rico, muito rico (em recursos naturais e culturais), onde muitas crianças, mulheres e idosos não são tratados com dignidade e que ainda são levados a viver em condições precárias e carentes de tudo, nas quais o Poder Público somente se apresenta armado como se para a guerra?

Portanto, sabemos que falta um pouco de vontade, nada mais do que isto. Com relação às crianças, bastaria ser cumprida a Constituição: “É dever da família, da sociedade, do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”. (art. 227)

Um forte abraço.

Jorge Rubem Folena de Oliveira
Presidente da Comissão Permanente de Direito Constitucional do Instituto dos Advogados Brasileiros

Comentário de Helio Fernandes
O descaso, o desprezo, a desorientação e o desinteresse dos governos atingem as mulheres, as crianças e os idosos. Não há prioridade e sim acumulação de imprudência dos que dominam, que se apossam dos Poderes e não fazem coisa alguma. No Dia Internacional da Mulher, o que havia para comemorar? Nada, mas para lembrar e constatar para sempre, dados estatísticos alarmantes, de perplexidade e até mesmo de terror. Pois é de TERROR que se trata.

A ONU liberou números sobre as mulheres, esses números atingem também as crianças e os idosos, No mundo inteiro, no mais variados países do Ocidente e do Oriente, desenvolvidos e subdesenvolvidos, ricos e pobres, 1 BILHÃO DE MULHERES SÃO VIOLENTADAS DIARIAMENTE. Das mais diversas formas, direta ou indiretamente.

No Brasil, a cada 15 segundos, UMA MULHER SOFRE VIOLÊNCIA QUE SE ENQUADRA EM 5 ITENS: psicológica, física, moral, patrimonial e ética. Tudo isso praticado com a maior crueldade, não saberia dizer qual dessas violências é a mais grave, a mais torturante, a mais desprezível.

Não se trata de repressão, palavra e ação que tanto agradam e satisfazem o governador do Estado do Rio. Nem se pode elogiar a criação de 3 ou 4 Delegacias da Mulher, especializadas, (como gostam de dizer) e chefiada por mulheres. Isso fica tão longe da realidade, que é assombroso que muitos, (sempre no Poder) considerem e garantam, “estamos cuidando do problema da violência contra as mulheres”.

Se estão cuidando, então por que esses números da ONU, esse trauma que se repete de 15 em 15 segundos? Em 1 minuto 4 mulheres foram violentadas no nosso país, em uma hora 240 foram atingidas, deixo que façam as contas e atinjam números estarrecedores.

Não são medidas ocasionais e circunstanciais que podem eliminar esses números, e sim soluções pensadas, planejadas, decididas, dando a essas questões e sua verdadeira dimensão social e desenvolvimentista. Mas o que fazer num mundo de 7 BILHÕES DE HABITANTES, dos quais, 2 BILHÕES vivem na mais nefanda das misérias, sem ter o que comer, onde morar, sem saúde, sem educação, e o mais grave de tudo, SEM OBJETIVO, SEM DESTINO E SEM ESPERANÇA?

* * *

PS- Nesses mais de 2 BILHÕES que vivem (?) nos mais diversos países, quantos são mulheres, crianças e idosos? Esse é o grande debate que temos que travar, dentro e fora dos governos.

PS2- Com paixão, amor, carinho, dignidade, desprendimento, com a devoção que todos devem dispensar a todos. Menos os que ocupam o Poder, mas deixando-o cada vez mais vazio e desmoralizado.

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